Sobre brmorgan


Projeto de bibliotecária muito ocupada sendo uma fangirl histérica de seriados antigos, música EBM, esperando Cthulhu voltar e dispõe de uma estratégia válida para o Apocalipse Zumbi.

 

Para os entusiastas da ficção-científica mais dark e do terror clássico do começo do século XX, H.P. Lovecraft é como J.R.R. Tolkien para os amantes da boa fantasia medieval.

O autor estadunidense de vida controversa se especializou em contos de terror, suspense psicológico, sempre beirando ao imaginário fantástico de um mundo povoado por segredos tão bem guardados da Humanidade que o simples fato de ouvi-los poderia levar uma pessoa em sã consciência a total Loucura e Desespero. Muito forte, não é? Mas é disso que trata a vasta obra de Lovecraft.

H.P. Lovecraft por Abigail Larson

H.P. Lovecraft por Abigail Larson

Mundos paralelos, seitas conspiratórias, cultos a seres tão antigos quanto o próprio mundo e um descritivo panteão de deuses extraterrestres que deixariam qualquer um literalmente louco fazem parte dos contos do autor. A Loucura e a Perda da Razão são questões frequentemente retomadas, retratando uma Era Vitoriana agraciada pelas possibilidades inventivas do final do Iluminismo, mas enterrada em um medo irracional de seres extraterrestres, sobrenaturais e com poderes extraordinários que não poderiam ser compreendidos pela Ciência ou Religião.

Junte isso e mais outros temas mais psicologicamente perturbadores e você terá uma obra incompleta, mas tão densa de cenários, personagens e bestiário que não há como não querer reviver as aventuras dos estudiosos da Universidade Miskatonic de Massachusetts – instituição fictícia que H.P. Lovecraft criou como o quartel-general dos “caçadores” de segredos sobre Cthulhu e companhia – ou no Asilo Arkhan, onde mandam todos os malucos que acabam sucumbindo ao poder esmagador dos Antigos.
(Ah, achou que os roteiristas de Batman tiraram o nome da onde?)

Um século após a publicação de seus contos – Lovecraft nunca lançou um livro sequer na época em que estava vivo, todos seus contos faziam parte de fanzines de ficção-científica, literatura de horror/terror e revistas especializadas – as histórias assustadoras do autor estão finalmente sendo reconhecidas pelo grande público e financiadas por fãs em projetos coletivos.

 

"Sua Sanidade tem sabor: NOM NOM NOM"

“Sua Sanidade tem sabor: NOM NOM NOM

Um detalhinho que poucos sabem ou se esquecem de mencionar é que a obra de H.P. Lovecraft é de DOMÍNIO PÚBLICO (veja um pouco sobre o Domínio Público nesse post), não pertencendo a nenhuma editora ou copyright específico (Lovecraft não deixou herdeiros e nem vendeu seus direitos de publicação), então qualquer fã pode se apropriar de elementos dos contos para criar qualquer tipo de mídia.

O Kickstarter tem alguns projetos interessantes para o mundo lovecraftiano desde games, RPGs, jogos de mesa, card gamestouquinha de inverno na forma do sumo-sacerdote do Caos e Terror Cthulhu (aquele bicho verde parecido com um polvo gigante), convenções de filmes baseados baseados na temática sinistra, livros infantis ilustrados com os deuses horripilantes, a volta da webserie mais cômica do YouTube “Calls for Cthulhu“, canequinhas artesanais finamente detalhadas, performances ao vivo de teatro de bonecos e muito mais.

O que me chamou atenção nesse apanhado de projetos foram dois livros infantis bem pensados. Lembrando que as histórias tratadas por H.P. Lovecraft estão longe de serem contos-de-fada e muito menos indicadas para os leitores mirins sem uma preparação boa antes, ter livros infantis com essa temática é tão nonsense e interessante que não dá para não resistir em dar uma olhada no que pode acontecer.

 

Alfabetizando com Cthulhu: qual criança recusaria?

Alfabetizando com Cthulhu: qual criança recusaria?

Em “Baby’s First Mythos” de Erica Henderson, o objetivo é fazer uma 2ª edição mais elaborada de um livro que ensina o alfabeto e números com ilustrações baseadas na cosmologia cthulhiana. Junto de cada letra ou número vem uma rima bonitinha para explicar a ilustração, uma boa para os fãs lembrarem dos principais deuses, monstros, acontecimentos e cidades descritas pelo autor.

 

Mini-estórias sobre Cthulhu? Os pequenos nerds agradecem!

Mini-estórias sobre Cthulhu? Os pequenos nerds agradecem!

Já “Littlest Lovecraft – The Call of Cthulhu“, de Tro Rex e Eyo Bella, tem a temática de introduzir as principais estórias da mitologia cthulhiana aos pequenos nerds em uma série de livros com brindes exclusivos. Tudo de forma didática e simples de compreender.

Se é indicado para os pequenos nerds? Sim, claro! Introduzir a literatura fantástica de forma lúdica na vida de um nerd em potencial é sempre bem-vindo, e também agrada os marmanjos que gostam das maluquices que o cenário pode proporcionar. Mas vá com cuidado! Antes de fazer seus irmãozinhos, filhos, sobrinhos, netinhos  lerem Lovecraft, avise-os sobre as consequências: ficar maluquinho é uma delas.

Para mais informações sobre o autor e sua obra, recomendo o site brasileiro SiteLovecraft.com que tem um belo acervo disponível para download.